
O espetáculo da vida
Quando entrei no palco, sozinha estava, não sabia dançar. não sabia o que fazer. ensaiado? nunca tivera oportunidade para tal.
Comecei olhando para a 1ª fila dos que assistiam, uns me olhavam fascinados pelo meu figurino, outros viravam a cara, não haviam gostado de mim, mesmo antes de ver minha apresentação. fiquei com medo, mais logo na 2ª fila um pequeno grupo se levantou e começou a bater tímidas palmas. Me reanimei e comecei a observar cada rosto que me assistia, podia ver, quem me aplaudia com a sinceridade, também podia ver quem virava a cara, quem tinha inveja por não estar em meu lugar, podia ver a falsidade de pessoas batendo palma apenas para não serem excluídas pelo seu parceiro ao lado, podia ouvir o som de cada lagrima verdadeira cindo ao chão e podia sentir cada sorriso emocionado.
Queria ver onde terminava aquele enorme salão, queria ver o que mais tinha além daquelas 8, 9 filas a minha frente . dei um passo cai e destruí toda minha fantasia, muitos riram, muitos foram em bora e me chutaram ao sair .não tinha vontade de sair do chão, queria ficar ali até que as cortinas se fechasses, queria que tudo acabace logo. Então percebi que poucos grupos daqueles que me aplaudiam continuavam ali, a me aplaudir com mais força do que antes, e quando levantei a cabeça pude ver, muitos lugares vazios, como pude ver algumas peças ali me aplaudindo e chorando por me ver triste .
Continuei andando, andando, e caindo, caindo, vendo a mesma cena se repetir, até a hora que parei de cair e comecei apeas a tropeçar, idai que alguns saiam do meu espetáculo, não podia agradar a todos, tinha que me lembrar de como comecei tudo, SOZINHA .
Então alguns daqueles que saíram, começaram a voltar, pois sentiram falta do meu jeito especial de dançar. O que mais importava no momento era minha felicidade, e a definição para felicidade não é nada mais é do que boa saúde e memória fraca. Feliz e realizada pela volta de algumas pessoas, encontrei o fundo.
Uma escadaria iluminada me esperava, uma mão estendida como esperando pela minha chegada estava ali, e então, com uma ULTIMA olhada para os rostos que haviam sobrado pude guardar em minha memória, cada apoio, cada vaia, cada sorriso, cada olhar invejoso...mais no meu coação guardei o silencio de meus verdadeiros amigos e joguei fora qualquer chingamento de meus inimigos.
Assim pude em fim terminar meu espetáculo, sozinha da mesma forma como havia começado, dei a mão para a que me estendia divinamente a minha espera. as cortinas se fecharam e todos os que haviam sobrado choram pedindo para eu voltar, mais ai, será tarde eu já estarei começando uma nova apresentação, o os que me abandonaram nunca mais poderão ter meu perdão,pelo menos, nao naquele espetáculo.
Luísa Cal Burza